10 de agosto de 2009

Fora do cronograma



Acho engraçado como, para muitas coisas na vida, a gente julga ter uma época adequada para acontecerem. Por exemplo, para ser um rebelde valentezinho e boca dura, é esperado que aconteça na adolescência. Para se ter medo do escuro e de criaturas babentas morando dentro do seu guarda-roupa, é bom que não passe da infância, depois já vira caso para análise. Para tirar a carta de motorista, faça-o assim que assoprar as velas dos 18 anos. Para começar a esquecer as coisas com direito a licença poética, espere chegar a, uh, mais de 70.

E quando as coisas acontecem fora do cronograma? E quando alguém só ganha a cópia da chave com idade bem próxima da maioridade penal? Quando começa a ler e escrever quando outras crianças ainda rabiscavam figuras amorfas com giz de céra? Quando dá o primeiro beijo depois de ter o título de mestrado? Ou quando alguém se vê responsável pela família antes de ter tido chance de terminar o colégio? Ou quando decide começar a primeira faculdade depois da maturidade?

Tem coisas que parecem ter toda a razão para se acontecer em determinadas fases. Mas tem tantas outras que não fazem o menor sentido. Nascemos e ganhamos uma agendinha de metas com alguns compromissos pré-fixados. Quantas frustrações a gente deve a esses prazos não cumpridos?

Acho que estou na fase de rasgar a agenda. E comprar uma nova. Sem datas nem pautas. Mas com muito espaço para ser bem preenchida, e bem colorida.

*imagem: Quoteskine

5 comentários:

Lívia disse...

MAri, vamos acabar com os cronogramas e datas para as coisas acontecerem. Como disse Renato Russo: "Temos o nosso próprio tempo"

Anônimo disse...

Fantástico texto.
E concordo com ele. Chega de seguir modelos pré-estabelecidos, que não correspondem às realidades individuais.
Alex

Túlio disse...

Sempre é tempo de fazer o que a gente gosta!


Clichê, nê? Mas uma grande verdade.

dea. disse...

então vou comprar minha agenda nova hoje <3
você me ajuda a preencher as datas?

Flavio disse...

É... coincidentemente cheguei a essa conclusão esse ano. Acho que nem agenda vou comprar mais...