14 de abril de 2009

Ruído



Que os ruídos fazem parte de qualquer processo de comunicação é fato. O músico e performático estadunidense John Cage sabia tanto disso que gostava de enfiar os objetos mais esquisitos dentro do seu piano de cauda, só para que, quando o piano fosse tocado, estranhos ruídos e interferências sonoras acontecessem. Ele chamava essas performances de "peças para piano preparado". (em off, mas não menos importante: Cage também era um aficcionado por fungos e um colecionador de cogumelos.)

Então, a introdução erudita acima era só para dar o start para a breve cena insólita que aconteceu hoje. Falando em ruído, a cena se passou comigo sentada na cadeira da dentista. Rolou o seguinte diálogo(?):

[dentista] -- uma vez eu conheci um publicitário, se chamava
[broca] -- zzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzz
[dentista] -- você já ouviu falar dele?
[broca] -- zzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzz
[dentista] -- professor do curso de publicidade
[broca] -- zzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzz
[dentista] -- acho que tem essa faculdade em São Paulo, né?
[broca] -- zzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzz
[dentista] -- mas o sobrenome dele era esse
[broca] -- zzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzz
[dentista] -- não sei de qual agência ele é, mas ele me falou da
[broca] -- zzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzz
[dentista] -- sabe qual é?
[broca] -- zzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzz
[dentista] -- mas ele é bem conhecido. Pode cuspir.

Nada como aproveitar para expandir nossa network no consultório dentário.

4 comentários:

Ana Pimentel disse...

zzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzz

Túlio disse...

a cuspidinha no final do papo é de lei!

tati travisani disse...

isso sim é um ruído de responsa!!
espero que suas mudanças estejam sendo inspiradoras... bjss

dea. disse...

malditos ruídos, meus relacionamentos interpessoais estão quase me levando à esquizofrenia por causa deles.